Planos ou objetivos?

Qual a diferença?
Ter um objetivo é como tentar acertar a mosca do alvo.
Objetivos geram ansiedade, tensão e a realidade quase nunca é como pensamos, e quando atingimos nossos objetivos costumamos dizer: “mas era isso?”, e ficamos com cara de “ué”!
Planos fazem parte de uma estratégia, nos guiam durante uma jornada e podem ser readequados constantemente de acordo com a realidade que se descortina no trajeto.
Também podemos remanejar nossos objetivos, mas sempre ficará faltando uma parte: a viagem.
Porque deixar para curtir somente quando chegar ao destino sendo possível curtir o caminho de ida, a chegada e a volta?
O que vale é a jornada e é disso que ela é feita: ida, chegada e volta.
Quando você volta?
No dia em que a sua jornada findar definitivamente e a gota reencontrar o oceano.

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Outra fábula:

Pai de família, casado com uma mulher maravilhosa, presente, companheira e dedicada. Tinha uma linda filhinha que era a luz de seus olhos. Trabalhava em um emprego que, se não era o que mais o satisfaria, não era de todo mal e os provia adequadamente.
Porém não estava feliz!
Acordava angustiado, mal humorado e cansado. Parecia que não dormira à noite. As horas do dia se arrastavam como que se recusando a passar.
Mas tinha um fato que o intrigava.
Havia um velho de idade bem avançada que morava do outro lado da rua, de frente a sua casa. Vivia sozinho. Sua mulher falecera há algum tempo. Com sua dificuldade de caminhar passava a maior parte do tempo sentado diante do seu jardim. Tinha uma palavra amigável e um sorriso sincero no rosto para todos que passavam na calçada da sua casa. Mesmo que fosse um simples “bom dia” era um bom dia iluminado em sua sinceridade. Era verdadeiramente feliz.
Um dia, ao passar diante da casa do velho e receber um sincero e feliz ”boa tarde amigo, como foi o seu dia?”, o rapaz não se conteve, entrou na casa, sentou-se aos pés do velho e disse:
- Eu sou um homem novo, tenho a vida inteira pela frente, uma família maravilhosa, uma saúde invejável e não passo necessidades e, no entanto não estou feliz. Passo por aqui todos os dias, pela manhã quando vou trabalhar e à noite quando volto do trabalho, e invariavelmente encontro o senhor sempre feliz e bem humorado. O senhor que, percebo, não tem boa saúde, vive sozinho e já está no ocaso dos seus dias. Como pode ser feliz?
O velho respondeu:
- É simples meu filho. Quando acordo pela manhã tenho sempre uma escolha a fazer entre duas possibilidades: posso ser infeliz ou feliz. Eu escolho sempre ser feliz!

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Há vários motivos para cantar…

Tem a fábula do galo que cantava por acreditar que o seu canto era o responsável por fazer o sol nascer.
Todas as manhãs eram iguais. O galo acordava antes de o sol nascer com o céu ligeiramente azulado, subia no telhado e lançava o seu canto imponente. Alguns minutos depois lá estava o sol brilhando em todo seu esplendor. Só então o galo estaria pronto para cuidar dos afazeres do terreiro: expulsar invasores, proteger suas galinhas, ciscar…
No galinheiro era tido como um deus todo poderoso. Todos o respeitavam.
Mas o galo vivia estressado por conta da sua responsabilidade: já pensou se algum dia perdesse a hora? E se ficasse rouco? Era um enorme fardo.
Dia após dia, noites e noites mal dormidas na expectativa de acordar no horário de fazer o sol nascer.
Uma manhã ele não acordou. O estresse da incumbência fez com que conciliasse sono tardiamente, portanto perdeu a hora.
Qual não foi o seu espanto ao acordar por volta do meio-dia e ver que o sol nascera a despeito da ausência do seu canto e o galinheiro obrava naturalmente sem a sua gerência.
Ao se levantar foi alvo de piadas de todos do quintal que dele escarneciam.
Seu mundo ruíra. Tudo em que acreditara era agora um monte de escombros sobre o qual não podia esconder sua humilhação.
Porém repentinamente algo aconteceu em seu interior. O galo percebeu a leveza causada pela ausência do antigo fardo. Sentiu-se leve e feliz.
Subiu no telhado e cantou como nunca cantara antes: a plenos pulmões. Um canto de alívio emocionou verdadeiramente a todos. Um canto de pura arte. E desta vez não soou somente como o sinal da chegada do momento de acordar e pegar na árdua lida do dia.
A partir desse dia o galo cantava não para fazer o sol nascer, mas para celebrar o seu nascimento, certo de que aconteceria independentemente da sua vontade.

Muitas vezes assim somos nós: não compreendemos que a vida acontece independentemente da nossa ação e o quanto são absurdas as tarefas que tomamos a nosso encargo. Somente quando as ilusões de poder ou responsabilidade caem conseguimos repousar nas ruínas das antigas edificações que nós mesmos criamos e nos serviram de prisão.
Só então percebemos que temos menos a fazer e mais a celebrar.

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Aromas, Cores e Sabores

Cada semente possui dentro de si a capacidade de gerar vida de acordo com a sua espécie e natureza.
Uma semente de roseira não pode gerar margaridas; uma laranjeira não origina mangas…
Portanto, se em um único jardim plantarmos sementes de roseiras, margaridas, laranjeiras e mangas, teremos espécies cada uma de acordo com a sua semente. Contudo o solo é o mesmo: a mesma consistência, o mesmo material orgânico, as mesmas minhocas, a mesma água… Mesmo assim, cada raiz terá a sua forma, cada folha o seu formato, cada flor o seu aroma e sua cor e cada fruto o seu sabor.
O mesmo solo…
Da mesma terra as roseiras formarão seus ramos de sustentação, seus espinhos de proteção, suas folhas serrilhadas, pétalas macias, cores magníficas e acontecerá a magia do perfume suave.
De um extremo ao outro. Da raiz na terra com materiais em decomposição à beleza imaculada de pétalas suaves e fragrância etérea.
Da mesma terra as margaridas estenderão suas longas folhas e delicadas flores brancas na direção do sol.
Da mesma terra a laranjeira sintetizará o seu aroma cítrico, produzirá ácidos fundamentais à vida e suaves flores brancas de aroma magnífico em oferenda às abelhas para que consumem o ato mágico da procriação através da polinização e então dará à luz frutos agridoces da coloração do fogo do sol.
Da mesma terra a mangueira construirá suas estruturas admiráveis em tronco e galhos para sustentar a gigantesca copa e expor suas folhas ao sol e gerar pequenas flores em cachos que resultarão em grandes e belos frutos doces de sabor e perfume inconfundíveis.
E assim com a grama, o capim, as diversas flores e árvores.
Do mesmo solo…
Do solo universal cada ser humano dará frutos de acordo com a sua natureza interior: bons e doces frutos, aromas suaves e delicados e cores magníficas cheias de vida ou frutos amargos e venenosos, odores fétidos e escuridão.
Basicamente o que nos diferencia é que podemos escolher quais aromas, cores e sabores queremos produzir.

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Meditação

Por definição: concentração intensa do espírito.
Concentrar: fazer convergir para um centro.
Tornar o espírito intenso através concentração da mente. Denso!

Uma emoção intensa é aquela que arrebata; uma estrutura densa em seus componentes é a mais forte; o remédio concentrado é o mais potente; o tronco espesso é o mais resistente; uma floresta densa é uma mata concentrada onde vemos grupos de grandes árvores permeados por vegetação intensa e vida abundante em quantidade e diversidade…
O espírito concentrado é tudo isso: forte, potente e resistente. Arrebata e extasia.
Assim é o mundo da mente, o seu infinito mundo interior: abundante em quantidade e diversidade de outros mundos. Belos ou assustadores, calmos ou agitados, pacíficos ou violentos. São seus mundos, cada um infinito em si mesmo…
Meditar é tirar o mais intenso de cada um deles.
Curiosamente vários artistas representam a postura de meditação com raios de energia irradiando do meditador, quando a verdade é exatamente contrária. A meditação agrega, absorve e concentra em si como o centro de um buraco negro do qual nem a luz escapa e é formado de uma partícula de massa tão densa e concentrada, daí a sua força.
Experimente!
Feche os olhos e concentre-se. Ouça uma linda música, mas ao contrário de voar nas suas asas, traga a melodia para dentro de si, agregue-a ao seu mundo interior, sinta-a no peito…
Você verá seus mundos interiores se descortinando diante de si, se abrindo à sua percepção.
Certamente será uma experiência extasiante.

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Contemplação

(Para ler de olhos fechados, sentido profundamente  – os olhos da alma, claro!)

Um dia de outono.
A névoa da manhã abraça seu espírito e o envolve carinhosamente em brumas macias de algodão enquanto retira seu véu.
O ar frio esfria seu corpo, porém aquece a sua alma.
O cheiro da campina verde penetra incontinenti as suas narinas convidando para a festa do olfato do dia: o cheiro do capim-gordura, da lenha do fogão, café fresco, o pão…
As aves iniciam, ainda preguiçosas, o canto do alvorecer aquecendo as vozes para a sinfonia da lida.
O som suave da brisa acaricia os ouvidos e as emoções.
O céu abandona lentamente o tom gris para dar lugar ao azul feliz banhado do dourado do sol.
Ah, que bela obra de arte para contemplar!
Arte sem criador, sem artista, sem autor.
A arte do processo.
Infinita, inacabada.
Infinito processo!
Arte que por trás de si tem somente a própria arte.

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Vestidos de si mesmo

O veículo circulava lentamente pela rua larga de asfalto liso e negro de tão limpo. A paisagem era de espaços gramados, perfeitamente verdes e margeados por guias caiadas. Nada mais. Nenhuma árvore, nenhuma flor.
Dentro do transporte, pessoas vestidas socialmente. Somente eu vestido de modo descontraído e casual.
Chegamos a um local onde uma única edificação se projetava além do nível da grama verde. Uma casa de paredes brancas, vidros perfeitamente limpos e cortinas igualmente alvas.
Entramos todos e nos encaminhamos ao que parecia uma sala de espera.
Todos eram chamados para algo que parecia com uma entrevista. Entravam e não retornavam mais por ali.
Quando passei a dar mais atenção ao fato de estar diferentemente vestido a insegurança me tomou. Um companheiro que se sentava ao meu lado resolveu me emprestar o seu paletó.
Um pouco mais tranqüilo, continuei sentado e pousei o casaco no colo. Quando finalmente fui chamado.
Levantei-me e comecei a vestir o paletó. Na medida em que tentava enfiar os braços pelas mangas, ele se desmanchava, primeiro nas costuras e quanto mais eu insistia, mais se despedaçava até que eu me encontrei bastante embaraçado nas linhas do tecido que também se desfazia.
Diante da minha demora em atender ao chamado por estar embaraçado com o paletó, um homem idoso de cabelos longos grisalhos, barbas igualmente longas e brancas vestido com roupas brancas reluzentes de tanta alvura, assim também era a aura que o envolvia, surgiu à porta por onde eu era chamado, olhou seriamente pra mim e falou em tom grave:
- EU DISSE QUE VIESSE VESTIDO DE SI MESMO!

Virou as costas, voltou pela porta e eu acordei…

Quantas vezes deixamos de confiar em nós mesmos e acreditamos que o adequado está no outro?!!!
O outro sabe, o outro é melhor…
Comparações são inúteis e nocivas. No final sempre seremos o produto das comparações e não o que somos verdadeiramente.
Confie sempre em si mesmo, ainda que “mal vestido” nada é mais adequado para você do que você mesmo. É a melhor roupa que pode vestir!

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